Exu Caveira: O Guardião da Calunga

Uma nova religião havia surgido entre os encarnados, a qual estava nos unindo mais e mais, tanto com relação a nós mesmos quanto em relação a nós e os encarnados. Essa nova religião, designada como Umbanda, ensinava-nos a ensinar, ao mesmo tempo que aprendíamos a socorrer, ao mesmo tempo que éramos socorridos; a abençoar , ao mesmo tempo que eramos abençoados. Não signicava que eu havia me tornado santo, mas que estava aprendendo, evoluindo. Cometíamos ainda muitos equívocos e alguns erros de opinião e julgamento, geralmente nos deixávamos levar pelo protecionismo e acabávamos não sendo justos com a parte contrária àquela que protegíamos.

Na Umbanda, muitos terreiros foram se formando: alguns excelentes, outros nem tanto, mas sempre procurando aprender. Havia também, aqueles cujo objetivo era tirar vantagens de pessoas desesperadas e de pessoas inescrupulosas, aquelas que desejavam que tudo na vida ocorresse de acordo com suas vontades e não pelos seus merecimentos.

Frequentávamos todos eles e muitas vezes até chegávamos a nos prejudicar, na tentativa de ajudar o médium; assim eram chamados esses trabalhadores, por intermediarem entre nós e os encarnados. Mas quando víamos que os médiuns estavam abusando, tirando proveito das pessoas, não dando atenção à nossas orientações e deixando-se guiar por Kiumbas mercenários, que os agradavam inflando o seu ego, retirávamo-nos e os deixávamos à sua própria sorte, para que aprendessem e crescessem com os próprios erros.

trecho retirado do livro Exu Caveira – De Padre a Guardião da Calunga, inspirado pelo espírito Ramon de Bonvivary – “Exu Caveira” – médium Maria Célia Dias da Silva.

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